Confesso que ao me deparar com o título do livro da Jornalista Fernanda Pandolfi, fiquei intrigada. Uma pergunta para a capa de um livro? Estranho!

Foi assim que comecei a tentar entender e a acompanhar a estrada da Fê, como é carinhosamente chamada. Mas, na verdade eu me dei conta que muito antes do livro nascer, da ideia de escrever surgir eu já acompanhava tudo de perto. Na época pelo facebook, não era muito ligada no instagram. Mas, lembro perfeitamente quando li que ela havia largado o emprego dos sonhos e correria o mundo de mochila nas costas.

Ali mesmo me identifiquei, e lembrei de mim querendo fazer o mesmo, desde que me conheço por gente. Eu quando adolescente fiz até concurso para a Marinha no sonho, infantil e ingênuo, de conhecer o mundo. Depois quis ser aeromoça, porém eu não tinha altura, dinheiro para estudar e nem falava inglês, graças a Deus. Porque ao longo da vida fui entendendo que não é assim que a gente conhece o mundo. Primeiro a gente tem que conhecer a gente mesmo, nossos limites, nossos medos e entender a nossa própria estrada.

E, foi isso que a Fernanda fez. Em meio à dúvidas, ansiedade e vícios da vida moderna, contatos, relacionamentos tóxicos e falta de amor próprio, ela conseguiu se agarrar à borda do caos e enxergar um último faixo de luz. Precisou sair, precisou olhar o medo bem dentro dos olhos e precisou, desesperadamente, sobreviver ao furacão em que estava vivendo. Esta decisão passou por medo, por crise de pânico e ansiedade, por desapego, não de dinheiro, de conforto ou de apoio familiar. Mas, desapego de vaidade, de estar no centro das atenções, do medo e de tudo o que entendia por mundo.

Ela saiu em busca da sua essência, cruzou o oceano, desvendou continentes, passou perrengues e disse um não bem grande ao Amor. Não é pra mim, sentenciou com o coração despedaçado. O que preciso agora é encontrar a Fernandinha, a menina que queria ser bailarina e acabou encontrando sua dança entre as palavras. Ela queria de voltar os sonhos, encontrar sua verdadeira identidade, ela queria encontrar sua estrada.

À medida que fui me entregando ao livro, fui visualizando os sentimentos, fui me rendendo à leitura e fui entendendo o quando a estrada dela pode moldar o meu próprio caminho. Eu sou também estrada, sou caminho, sou nova mesmo tendo uma grande diferença de idade, sou solta, livre e sou mulher em um mundo que ainda acha que não somos capazes. A medida que lia eu encostava o livro no peito e pensava: por que demoramos tanto a nos enxergar, e por que, na maioria das vezes,  colocamos no outro a responsabilidade da nossa felicidade, do nosso mundo e da nossa estrada?

Uma das frases que mais gosto na trajetória da Fernanda, do livro e da volta ao mundo é: como você pode desejar paz para o mundo se não consegue estar em paz consigo? Bingo. É sobre isso a jornada dela, e é sobre isso a vida. O que eu consegui encontrar nas letras, nas linhas e no texto de Quem é a Estrada? Consegui encontrar um pouco de paz. Paz ao errarmos, paz ao entregarmos a alguém aquilo que é tão precioso na nossa vida, paz com os percalços e paz com o caminho que temos que percorrer até que algo aconteça e te chacoalhe, quase aos gritos, e diga: chega!

Acorde, tome posse do que é seu, desfrute, não tenha vergonha da sua origem, sendo ela pobre ou rica, valorize sua trajetória, só deixe chegar perto de você quem conquistou o direito de fazer parte do seu caminho, entenda a diferença de amigo, de amor e de família de verdade, mesmo sem laços de sangue. E aprenda a colocar cada pessoa em seu lugar, dar a cada dificuldade somente o peso que ela merece e entenda que as fugas são feitas para um determinado momento apenas, não fique lá. Mude, se mova, encontre o seu time.

Ah, e o amor? Não fui feita para ele. Quem disse? Quem instituiu em nossas mentes que o amor tem nome, sobrenome e formato padrão? O amor começa em casa, pelo detalhe, por aproveitar os pequenos momentos como saborear um vinho, um beijo, um recado. O sopro do vento, um piquenique ou simplesmente as páginas de um livro que nos leva além, muito além. O amor é pra mim sim, o amor é para a Fernanda sim, o amor está aí, basta a gente ter coragem para seguir, escolher o lado certo e encontrar com ele na sua própria estrada.

Não vou dar spoiler aqui, mas vale a leitura, vale parar e reler, vale pensar em como a gente mesmo tende a boicotar os sonhos e achar que não somos merecedores. Vale também planejar a vida, repensar tudo, dar a volta ao mundo começando por dar a volta em si mesma, como o próprio livro mostra. Vale mudar o lado da rua, vale mudar de amigo e limar da vida tudo o que incomoda, perturba e tira a nossa paz.

No texto do seu blog antes de partir e dar a Volta ao Mundo, ela citou Cartola, dizendo apenas: estou indo. “deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar rir pra não chorar. Quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir os pássaros cantar, eu quero nascer, quero viver. Se alguém por mim perguntar, diga que eu só vou voltar quando me encontrar.

Quem é a Estrada é sobre isso, sobre movimento, sobre amor próprio, sobre medos bobos e coragens absurdas (amo esta frase da Clarice Lispector) e também sobre escolhas. Escolha quem fará parte da sua vida, quem conquistou e merece estar na sua estrada, e de que forma você vai celebrar seu novo caminho, mesmo que não saia do lugar.

Viva a vida!!